O Estado da Arte – XL



Das duas, uma.
por Rui Serra e Moura


Penso ser compreensível que estas coisas que aqui escrevo, tenham de algum modo de ser simplificadas.
Isso decorre do formato adoptado, e também do facto do Luís Santos ainda não ter comprado como eu queria, uma publicação impressa periódica onde eu pudesse discorrer livre e infinitamente sobre estas temáticas, para ilustrar as almas incultas da plebe, tirá-las das trevas, e quiçá até iniciar um novo culto religioso, em vez de me obrigar ao espartilho deste formato.
O que vale é que sou regiamente bem pago, com direito a viagens, carro e cartão de crédito, e portanto, roam-se de inveja, CEO’s deste mundo e do outro.

Vem isto a propósito do “conceito lato e inexacto” de que me socorri na anterior publicação, e que então prometi retomar, referindo-me ao Pop/Rock.
Aqui há muitos artigos atrás, - mais precisamente no XVIII -, pude deixar à consideração geral, a identificação dos dois únicos tipos de música que eu afirmava existirem universalmente.

E não: não são o Pimba e o Zumba.

Quanto muito esses podem ser os nomes dos protagonistas de um próximo filme da Disney.
Esses dois únicos tipos de música são a erudita e a popular.
A música erudita será aquela música que ao longo da história, nos diferentes países, estados, reinos e impérios, só era acessível aos dirigentes dessas comunidades, fossem elas de caracter civil, militar ou religioso. E como sabemos, assim foi na China, na India, no Egipto e na Europa.
Presentemente, por música erudita entendemos aquele tipo de música que é quase de “investigação”, que explora como que cientificamente novas sonoridades, timbres e harmonias, que emana muito dos conservatórios e academias de música ocidentais, e que a meu ver, permanece elitista tanto nas fontes como nos recipientes.

A música popular é toda a restante, e aquela a que o povo anónimo tinha acesso.

Serve isto assim para explicar como o disparo do número das vendas de discos que se verificou nas décadas de 50 e de 60 do século passado, como referi, resulta da massificação do consumo de música, sim, mas da de cariz popular.
É óbvio que tanto a influência da música negra na ocidental, como o factor “juventude” tiveram importância primacial nesse disparo, - matéria para uma inteiramente outra análise -, mas a ligação da massificação do consumo individualizado de música, com o seu cariz popular parece-me incontornável.

Até breve.

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